Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Valpaços - Av. 25 de Abril

A onda securitária que ultimamente invadiu o nosso país, provocada sobretudo por essa outra onda de crimes nas mais diversas formas que a comunicação social explora até à exaustão, trouxe para a sociedade a discussão mais acalorada que alguma vez constatámos sobre a segurança das pessoas e dos seus bens. E cada vez  mais nos apercebemos desse sentimento que vai perpassando por tanta gente e que tem a ver, comenta-se, com o facto de os agentes a autoridade não intervirem nalgumas circunstâncias ou, ainda, por fazerem uma actuação, noutras alturas, que não estará de acordo com a  ou as instruções que superiormente lhes terão sido dadas.

 

Ora, as polícias  - de facto são tantas que, talvez por isso, não haverá forma de se entenderem e o cidadão é que paga - sendo necessárias para garantir a segurança das pessoas deveriam procurar ser elementos sobretudo de dissuasão dentro e fora das localidades e, nesse sentido, seria bom que pudessemos encontrar os seus activos envolvidos em policiamentos de proximidade e menos à espera que algum acontecimento anormal reclame a sua presença indispensável.

 

Também nas estradas seria bom encontrar esse agentes com mais frequência. Quanto mais vezes puderem ser vistos maior será a necessidade sentida por quem transita de não infringir regras indispensáveis para dimuinuir as tragédias que, infelizmente, continuam a manchar de sangue tantos itinerários deste País. O que já não defendo é o aparecimento das patrulhas, sobretudo as das zonas rurais, meio escondicas, às vezes quase camufladas, mais preocupadas em "caçar" os mais desprevenidos para lhes aplicar uma qualquer multa do que interessados em fazer alguma pedagogia, o que, bem se entende, não lhes ficava nada mal.

 

Vem isto a propósito de, aqui há uns dias, ter sido interceptado por um agente que, não verificando qualquer infracção, me deixou entender, desde logo, que estava interessado em inventar algo que pudesse configurar uma qualquer contravenção ou, dito de outra maneira, não escondeu que gostaria de mostrar serviço. Vai daí implicou com o facto de num dos meus documentos ter como morada "Zona de Expansão Urbana" e noutro "Rua Vale das Amoreiras". E mesmo depois de os colegas que o acompanhavam lhe terem dito que isso não constituía infracção - sabiam bem que são ambos topónimos da mesma zona da cidade, tanto mais que o posto a que pertencem aí se situa - não se inibiu de me chamar a atenção para o facto. Não costumo dar muita conversa nesta situações mas, neste caso, não me contive. Fiz de conta que não sabia que o nóvel agente era da terra e fui-lhe dizendo que uma e outra designação eram correctas, uma vez que os nomes das ruas foram atribuídos muito depois de o bairro ser habitado. Repondeu que era de cá mas que desconhecia o facto. Aproveitei para lhe dizer, então, que o problema tinha solução muito fácil. As ruas de qualquer localidade só se aprendem bem depois de passarmos várias vezes por elas e, isso acontece com mais facilidade ainda se as calcorrearmos a pé. E como me pareceu que não teria percebido muito bem o alcance das minhas palavras rematei com a necessária clareza: saiba que vocês perderam o hábito de andar a pé pelas ruas da cidade e, dessa forma, é dificil...

 

Mas como o título deste post é "Av. 25 de Abril" e o episódio não aconteceu aí, quem eventualmente perder algum do seu tempo a ler este arrazoado acabará por pensar que estarei a ficar estulto. A verdade é que, por andar bastante a pé e por gostar de percorrer   as nossas ruas observando com muito interesse o que se vai passando ou o  que existe em cada uma delas, ás vezes acabo por fazer algumas descobertas, que outros porventura já teriam achado mas que para mim são novidade. Pois bem, num desses canteiros que demoraram a chegar mas que, enfim, tornaram a zona da rotunda que divida a avenida ao meio bastante mais bonita e airosa, consegui vislumbrar a existência de um marco do correio que, para quem está no lado norte, nas proximidades da loja de artigos eléctricos, mal consegue detectar. Vê-se, de facto, algo vermelho lá ao fundo mas, só quem sabe da sua existência conseguirá identificar o objecto.

 

 

É preciso mesmo ir até ao outro lado da rua  para, com a aproximação, verificar que, efectivamente, não se trata de um novo arbusto mas, isso sim, de um dos - creio que só há um outro, junto ao mercado municipal - marcos de correio que os CTT instalaram cá na nossa terra. Veja-se como os arbustos verdes e as rosas  parecem protegê-lo possivelmente de algum mau uso.

 

 

Bem sabemos que as tecnologias da informação e da comunicação vão substituindo muita da correspondência que habitualmente passava por estes interessantes marcos vermelhos antes de ser triada e enviada para os destinatários. Também sabemos que pouco uso terão aqui em Valpaços - estão muito próximos da estação dos correios e, se calhar, distantes dos quiosques onde ainda se podem adquirir os sêlos para a correspondência. Mas haverá, ainda assim, alguém que lhes dará utilidade. No mínimo que sejam aqueles que, como li algures um dia -o autor que me desculpe mas não o fixei - ainda escrevem cartas de amor, porque as cartas de amor terão sempre que ser enviadas pelo correio. 

 

 

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publicado por riolivre às 22:25

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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Valpaços Campestre - Vale de Espinho

É verdade que ainda restam algumas aldeias do concelho que, resistindo a um certo tipo de mudança e, nomeadamente, pretendendo manter a tradição de antanho, continuam, - o seu povo, bem entendido - a venerar, ou melhor, a fazer a festa anual em honra do ou dos seus santos no dia ou no fim de semana que mais se aproxima desse dia que o calendário litúrgico estabelece qomo o seu - do Santo, claro. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Valverde. Aqui ainda se faz a festa em honra de S. Brás no dia 3 de Fevereiro e a que honra a Senhora do Carmo a 16 de Julho. Haverá outras localidades que têm igual procedimento. Esta, talvez por me estar mais próxima, apesar disso, surgiu aqui somente como exemplo.

As festas passaram, então, e de há uns anos a esta parte, a ter lugar, na maioria das nossas adeias, durante o mês de Agosto, o que, em muitas situações, fará com que haja sobreposições que, pelo menos, tirarão algum brilho e muita gente forasteira a mas e outras.

A razão, sabêmo-lo, tem a ver com o facto de os residentes quererem não só dar continuidade a essa tradição da festa anual, razão suficiente para convidar familiares e amigos que, quantas vezes, só nesta época e desta forma se podem comunicar em presença mas, sobretudo, por ter havido quem, num qualquer sítio se tenha lembrado de dar o tiro de partida no sentido de, neste mês e com a festa da aldeia homenagear aqueles que a vida obrigou a procurar outros países para sobreviver. Esta poderá ser uma das formas de a diáspora valpacense marcar as suas férias para esta altura. Perdeu, é claro, a Senhora da Saúde que, como se tem costatado, vai perdendo, para além de outras coisas, a presença habitual de tantos emigrantes.

Ora, um destes dias passei por uma festa que, por sinal, até pertence àquelas que homenageia o seu padroeiro no próprio dia. De facto, os habitantes de Vale de Espinho, essa pequena aldeia da freguesia de Argeriz, a escassos sete quilómetros de Valpaços, não se importou que o dia de S. Luís fosse uma quinta-feira e fez mesmo a festa nesse dia. Merece, portanto, esta gente laboriosa de Vale de Espinho que aqui deixe um pequeno aspecto da sua festa deste verão, consubstanciada nalgumas fotos da sua procissão.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por riolivre às 15:48

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