Sábado, 3 de Novembro de 2007

Valpaços - EN 213

 

Foi já nos idos de oitocentos que o governo monárquico fez jus à necessidade de ligar alguns dos concelhos transmontanos através de rodovias, então em "macdame", mas que, ainda assim, não  deixavam de servir os interesses das esquecidas populações do interior norte - é claro que qualquer semelhança com os esquecimento a que hoje estão votadas estas gentes é, obviamente, pura coincidência).

Efectivamente, o plano rodoviário desse tempo contemplou a região com uma ligação que partia de Chaves e haveria de chegar a Vila Flor, num percurso de aproximadamente oitenta quilómetros (hoje, de facto, um pouco menos).

Pelo caminho, rasgou o concelho de Valpaços, no sentido Norte-Sul, desde o termo de Mosteiró de Cima até aos Leirós, servindo várias aldeias do concelho e penetrando no centro da então vila de Valpaços, propiciando, desde logo, uma ligação mais rápida aos concelhos vizinhos e, naturalmente, permitindo o escoamento dos produtos locais e o natural desenvolvimento destas terras.

Salvo melhor informação, só na década de quarenta do século passado terá sido contemplada com a colocação de asfalto, e a primeira beneficiação que merece referência aconteceu já nos anos que sucederam ao 25 de Abril, sobretudo, com a construção da variante a Vilarandelo que acabou por evitar que o transito se fizesse pelo centro desta nóvel vila.

Mas, o mais importante estava para acontecer. É que vai fazer um ano a breve trecho, foi inaugurado um troço, completamente novo, que liga Valpaços ao IP4, à entrada de Mirandela, encurtando significativamente a distância entre as duas sedes de concelho transmontanas e diminuindo drásticamente o tempo de percurso entre as duas cidades.  E, sendo certo que a ideia era a de conseguir benefícios sobretudo para os valpacenses, que, obviamente, poderiam ver aqui uma forma de trazer investimento e criar emprego para fixar alguam população, a verdade é que quem, para já, ficou a ganhar foi Mirandela, para onde os valpacenses passaram a correr, talvez por a atractividade ser maior desse lado. Creio que, mais uma vez, acabámos por cair num logro.

Ora isto vem exactamente a propósito de termos sido surpreendidos com os placards que informam sobre o início das obras de beneficiação do trço da EN 213 que liga a Chaves e que a Câmara já havia anunciado seriam iniciadas em Abril passado, encurtando, também aqui, a distância que separa as duas cidades. A verdade, mais uma vez, é que não irá passar de uma pequena rectificação, mantendo, no essencial,esse traçado sinuoso que uns milhares de condutores vão continuar a fazer todos os dias. E será verdade também que vamos continuar a ficar, pelo menos para já, muito longe da auto-estrada.

Vamos ficando com as placas, que já não é nada mau.

 

 

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publicado por riolivre às 23:31

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3 comentários:
De josé doutel coroado a 25 de Novembro de 2007 às 23:00
Caro Celestino,

estou de acordo com o caro amigo.
parece-me que se devia ter aproveitado esta oprtunidade para resolver o problema da acessibilidade a Chaves.
Continuaremos demasiado longe, em tempo (20 a 25 minutos...) do Hospital que nos pretende servir em caso de emergências.
De Valpacense. a 18 de Janeiro de 2008 às 21:53
Estou totalmente de acordo, caímos todos num grande logro e esta obra que tão publicitada foi veio apenas e só beneficiar Mirandela e prejudicar ainda mais o concelho de Valpaços, principalmente as aldeias de Rio Torto em primeiro lugar, visto ter ficado totalmente isolada sem sequer ter um nó de ligação à variante, passando a ser uma aldeia fantasma condenada ao isolamento e à desertificação visto que lhe tiraram o seu fio condutor e o que a ligava à vida, que era a Estrada Nacional 213 que desde sempre impulsionou o seu desenvolvimento sócio económico. Mesmo Lilela e os Léiros apesar de terem um nó de ligação nas proximidade pouco vão ganhar com isto, quem mais ganhou foram aqueles que ganharam rios de dinheiro com a expropriação dos terrenos, os que desde sempre os que impulsionaram a construção desta variante à EN 213, não vale a pena estar a referir nomes porque toda a gente sabe quem são.
Esta estrada é então um exemplo vivo de má aplicação de dinheiros públicos, visto que o volume de tráfego que tinha não justificava em nada o gasto de 22 milhões de euros, 15 milhões na construção e 7 milhões na expropriação dos terrenos que foram gastos para construir esta estrada. Desta feita o que devia ser feito era uma ligação desde o nó da IP- 4 à antiga EN 213 nas imediações da firma Avicuima na aldeia dos Eixos, rectificando o restante percurso da antiga nacional com a possível construção de uma variante nos Eixos à semelhança do que foi feito em Vilarandelo como é referido no blog, e a construção de vias para lentos onde se justifica-se. Desta feita estar-se-ia a poupar imenso dinheiro ao erário público e não se isolaria as aldeias que anteriormente eram servidas pela EN 213. Tudo isto, para mim se deve à inoperância das pessoas que estão à frente dos destinos do concelho, nomeadamente autarcas locais e mesmo os próprios cidadãos que deviam ter tido o rasgo de visão suficiente para se aperceber que esta estrada não iria beneficiar em nada o seu concelho, pelo contrário prejudicá-lo em favor do de Mirandela, e se deviam ter feito ouvir atempadamente em local próprio.
O que na minha óptica devia ter sido feito e pedido à altura pelo presidente da Câmara e demais responsáveis pelo concelho, e nessa altura podia-se tê-lo feito visto que o primeiro ministro era à altura o Dr. Durão Barroso que como toda a gente sabe tem raízes no concelho de Valpaços, sendo também para mim o Dr. Durão Barroso o responsável pela sua construção visto que esta estrada foi adjudicada ainda na sua vigência, acredito que se fosse hoje no governo PS ela seria meramente beneficiada, era a rectificação da EN 213 sem desta forma isolar as aldeias por onde ela passava, à semelhança do que foi feito na EN 103 entre Chaves e Vinhais, e do que está a ser feito agora entre Vila Pouca e Argemil, o que ficaria consideravelmente mais barato, empregando o restante dinheiro na célebre ligação entre Valpaços e o Franco, beneficiação o traçado da actual Estrada Municipal 551, dotando-a de um perfil de estrada nacional, estrada esta muito necessária ao concelho e que já esta prevista há mais de 50 anos.
Esta estrada já constava e vinha prevista no longínquo Plano Rodoviário Nacional de 1953, chegou a ser marcada no início da década de 60, esteve prevista sua construção novamente na década de 90 depois da construção do IP 4, mas inacreditavelmente a sua construção tem sido adiada invariavelmente, estrada esta que rasgaria e beneficiaria assim todo o concelho de Valpaços de uma ponta à outra, no sentido Sul/Norte, ficando assim o concelho dotado de uma outra via de acesso estruturante, o seria sem dúvida alguma uma mais valia para todo o concelho de Valpaços.
Era este o procedimento que devia ter sido seguido, acredito que o presidente da Câmara Municipal de Valpaços tenha conduzido este processo com a melhor das intenções, contudo não se terá com certeza apercebido deste facto e não teve o rasgo de visão suficiente para prever que a construção da variante à EN 213 não iria beneficiar assim tanto o concelho de Valpaços, não passando tudo isto como refere de um grande logro, acrescendo a isto ainda o facto de antiga estrada nacional 213 ter sido desclassificada o que vem trazer mais um encargo à Câmara Municipal com a sua manutenção.
De Valpacense. a 18 de Janeiro de 2008 às 21:59
Em relação à rectificação da estrada de Valpaços a Chaves, concordo com a rectificação porque como já deixei patente o volume de tráfego desta estrada não justifica a construção de uma variante, para erro basta entre Valpaços e Mirandela, com os andicaps que a construção destas variantes trás para as aldeias, nomeadamente o isolamento e a desertificação, porque o que movimenta e dá vida a estas localidades é o transito de atravessamento proporcionado pelas estradas que as atravessam, tirando-lhe isto condenam-se invariavelmente ao isolamento e desertificação, devendo apenas as variantes ser usadas quando o volume de tráfego assim o justificar.

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