Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Valpaços - Antes e Depois

 

 

O fotógrafo que à época (anos 20 do século passado) conseguiu este belo registo da então ainda vila de Valpaços não imaginava, certamente, as profundas alterações que a mão humana iria implementar alterando, também profundamente, o espaço urbano a que hoje damos a designação de centro histórico ou, se quisermos, a parte mais antiga da urbe. E também não estaria à espera que, de uma forma, diria, um pouco grosseira, alguém viesse a utlizar o seu documento fotográfico para ilustrar uma possível comparação da Valpaços desse tempo com a de hoje.

 

Não duvido que os mais idosos e aqueles que, por motivos de vária ordem, se interessam pela terra e pela sua evolução, procedendo, aqui e ali, a algum tipo de investigação, façam uma descrição objectiva do que a foto nos deixa observar. Mas também é fácil perceber que os menos atentos terão alguma dificuldade na interpretação do documento.

 

Atrevi-me, então, a colocar sobre o postal (disso se trata, afinal!) algumas referências numéricas que, sucintamente, passarei a descrever:

      

  1. Trata-se de um edifício que já não existe. Foi construido após a abertura da estrada para Mirandela  e era pertença de Eduardo Nunes, um comerciante oriundo de Viseu, que aqui conheceu uma viúva, com quem veio a casar. O  desaparecimento desta casa deveu-se a um incêndio que a destruiu, em 19/20 de Dezembro de 1930 (decorria a Feira do Peixe), e está associado ao facto de, pela primeira vez, se terem visto actuar em Valpaços duas corporações de bombeiros (Chaves e Mirandela), cada uma com um carro de combate a incêndios.
  2. Este muro, que ainda resiste (uma parte dele, obviamente), serve para referenciar a rua a que serve de suporte, exactamente a Rua das Latadas (vai da Rua Dr. Francisco José de Medeiros à Rua do Tramagal).
  3. Trata-se do solar de Maurite.
  4. Outro solar,neste caso o dos Morgados.

 

 

Aqui está o aspecto actual da zona representada na fotografia anterior. Vale a pena comparar.

 

publicado por riolivre às 16:41

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7 comentários:
De Eugénio Borges a 7 de Agosto de 2009 às 20:08
Sinceramente, o aspecto mais apelativo e de certa forma homogéneo, é o dos anos 20, na primeira foto.
Actualmente não há preocupação de enquadramento urbano entre a parte rural da cidade e a parte mais urbana, digamos assim. Isso é visível nesse lado sul da cidade. Repare-se por exemplo no Bairro 1.º de Maio, com casas pintadas de varias cores e outras por pintar, urbanisticamente degradado, agora à vista de todos, após a construção do espaço no antigo largo da feira e da avenida que vai dar à adega cooperativa. Falta planeamento e um bom arquitecto paisagista, porque engenheiros civis são engenheiros e não arquitectos.
Note-se também na rua 6 de Novembro, com o muro da vergonha no chão, o que ficou à vista de todos? casebres a cair... Olhe-se para aqui já citada Praça da República, tristemente desertificada e com o mobiliario urbano todo degradado...
Um abraço, Professor.
De riolivre a 8 de Agosto de 2009 às 18:54
Meu caro Eugénio,

Não posso estar mais de acordo contigo. As aberrações com que deparamos e os verdadeiros atentados urbanísticos que vamos constatando fazem parte exactamente da falta de tacto para a arquitectura que os engenheiros têm mas que teimam em exercer.
Creio que na UE, de uma forma geral, aos engenheiros é vedada qualquer intervenção que tenha a ver com a arquitectura. No nosso país, ao contrário, são eles que determinam o que deve e o que não deve ser feito a esse nível. Deixaram-nos trepar e, obviamente, instalados como estão, vai ser muito difícil fazê-los recuar.
No que a Valpaços diz respeito, retenho uma frase que, há muitos anos (de facto já são mesmo muitos), o nosso presidente Tavares usou como resposta quando lhe perguntei das razões por que não havia um arquitecto na Câmara. Aqui fica o que ele pensava (não sei se entretanto mudou ou não de opinião) e o que, afinal pensa a classe dos engenheiros: "Ó professor, esses tipos são muito complicados!"
Um grande abraço
Celestino
De TZ a 29 de Setembro de 2009 às 12:39
Saberá elucidar-me das razõe da existência de uma Rua do Tramagal em Valpaços?
Cumprimentos
De riolivre a 1 de Outubro de 2009 às 22:52
Há com toda a certeza quem o possa fazer muito melhor que eu, porém, não quero deixá-lo(a) sem a merecida resposta.
No início dessa rua, que corresponde a um troço da EN 213, no sentido Valpaços - Mirandela, imediatamente a seguir à chamada rotunda do Tanque Novo, ainda pode ver-se uma parte dos edifícios onde, em meados do século passado, foram instaladas algumas unidades industriais, nomeadamente , um lagar de azeite e uma moagem. Ora, como a maquinaria que o proprietário aí colocou foi adquirida na localidade ribatejana de Tramagal, aquela zona da então vila de Valpaços passou a ser conhecida do povo local exactamente por ese nome.
Eis, de forma simples, que espero responda à sua questão, por que a Câmara Municipal terá dado o nome de Tramagal a essa artéria da cidade.
Cumprimentos.
Celestino Chaves
De tz a 3 de Outubro de 2009 às 10:22
Obrigado.
De Alfredo Lopes a 26 de Maio de 2014 às 16:51
Ficaria extremamente grato, a quem me pudesse dar mais algumas informações acerca"Feira do Peixe" (dia em que ocorreu o incêndio na casa do Sr. E. Nunes).
Tenho pesquisado em muitos livros sobre a nossa terra e ainda não consegui obter informação acerca deste assunto.

Obrigado e parabéns pelo post.
De riolivre a 21 de Julho de 2014 às 22:33
Antes de mais, peço que me desculpe pela demora na resposta. A verdade é que não tenho dado a atenção que gostaria de dar a este espaço e, obviamente, àqueles que, como o senhor Alfredo, fazem o favor de perder algum do seu tempo para passar por aqui.
Como facilmente perceberá, nesse tempo, dificilmente chegava peixe a Valpaços. Habituados a uma dieta sobretudo à base de carne, os valpacenses, na sua maioria,também não teriam grande poder de compra para aceder a produtos que não eram produzidos na região.
Ora, no Natal, a mesa dos transmontanos sempre teve polvo e, os valpacenses ainda hoje gostam de juntar às iguarias da quadra um outro produto do mar: o congro. Pois bem, para que essas espécies e, eventualmente, outras pudessem fazer parte da ementa da terra foi criada uma feira no dia 20 de Dezembro que, para além de outros produtos, trazia até Valpaços vendedores de peixe. Eis por que ainda hoje essa feira é conhecida pela Feira do Peixe.
Muito obrigado pelo contacto.
Celestino Chaves

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